O rio

O rio

quarta-feira, agosto 20, 2014

Viajantes do tempo

"Quem pode dizer para onde vai a estrada
Para onde escorre o dia, só o tempo
E quem pode dizer se o teu amor que o teu coração escolheu, cresce
só o tempo"



"Who can say where the road goes
Where the day flows, only time
And who can say if your love grows
As your heart chose, only time"
Enya



No ardor constante de sabermos o que vem a seguir não saboreamos o agora. Sedentos de mais e curiosos, pior que gatos, esperamos melhor a cada dia, sem nos darmos conta do bom que somos e que temos agora. Laivos de sorte, risos pontilhados no tempo, uma cama, mesa, teto e comida. Outros há que nesta hora fogem e se escondem do medo e da morte que teima em chegar mais cedo junto deles, com um bilhete assinado por outros que nem sei bem quem são nem por que razão optam pela violência e crueldade. Temos tudo para sermos felizes mais um dia... 


Um dia, diremos de forma diferente, com a mesma nostalgia de sempre, a que o ser humano já se habituou mas teima em não mudar:
- Tivemos tudo para sermos felizes... 

Ninguém nos pode dizer para onde vai a estrada da vida, mas sabemos que a empedramos nós, com escolhas nossas, feitas à pressa e irreflectidas, por vezes, mas noutras bem pensadas, depois de aprendermos algo novo... cada retalho das nossas vidas não é mais do que o manto que nos envolverá na partida para a Luz... não haverá malas... só a saudade de casa, a segurança e a noção de que tudo se encaixa, perfeito... por agora, vivemos de tentativas e erros, sem nos lembrarmos de quem fomos, meros tolos, como cães atrás do próprio rabo... 

Viajamos num tempo que não existe, somos partes de um nada que é tudo, de milhares de galáxias, de luzes de seres e achamo-nos sempre ou mais ou menos do que realmente somos: a centelha divina... o tempo dirá, quanto fomos e quanto somos nesta passagem a que chamamos vida.


Um beijo cheio de ternura na tua alma, mana!
  

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