Eu tou mais crescida...mas escusam de pensar que melhorei, porque a lua é o meu destino. Um degrau, de cada vez, sempre. Porque baralho sempre e não tenho emenda... é escusado. Nem com choques eléctricos... Também só mesmo assim posso saborear, aprendendo a ser sábia com a ajuda doce das fadas e duendes que me conhecem e amparam. Grata a quem me quer bem. Mil beijos e abraços(º_º)
O rio
terça-feira, maio 01, 2007
1º de Maio
Vem de lá uma mancheia de cromos e começo a sentir-me de novo no auge da revolução industrial, mas assalariada, sem dinheiro e sem comida. Vejo na mesma os abutres de outros tempos e os vampiros ávidos também.
Mas serão tão cretinos que cheguem a pensar que é assim que melhoram algo? Ou pensarão ser intocáveis?
Um nino valente e uma mãe kida
Pois.
Depois de se estar 7 horas nas urgências de um hospital central, verifica-se in loco como vai, de facto, a merda do país.
Num amontoado de ambulâncias que teimam em chegar sem avisar, vão sendo despejados multiplos tipos de dores, de sofrimento, estampado no rosto e no olhar de medo de cada um.
No dia em que eu descobrir quem vai por prazer para um local tão desolador.
Vê-se a falta de humanidade em cada canto. O encher de papéis nos cestos do lixo, as casas de banho imundas ao fim de sete horas de utilização.
Pior : viu-se a desinformação e a falta total dela perante a angústia de quem ama e teme pelo pior.
Brilhante é a forma como profissionais de saúde lidam com a dor dos outros:
Atirou-se? Agora aguente. E o doente jaz envolto em dores.
Um idoso entra é observado e é-lhe dito que tem que ir ao raio-x. Mas NINGUÉM lhe diz onde fica esse local. Espectacular. Ficou tudo de boca aberta.
Deus existe, porque ali, se não for ele, a malta parte depressa...
Em nenhum momento perdi a vontade de bater em quem gere a doença deste país. Falta-nos muito para sermos de verdade pessoas e tratadas como tal.
Deplorável. Extenuante. Triste.Muito triste.
P.S. O T.. voltará em breve, graças a Deus!! Não aos homens! Pelo menos a uma grande quantidade deles.
Talvez esteja na hora de cada um equacionar o que de facto anda cá a fazer.
Beijos enormes para ti nino kido e coragem pa ficar tudo fresco e novo tra vex.
domingo, abril 29, 2007
As músicas da Rita são sempre especiais.

Sexo e amor
Rita Lee
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão
Sexo é padrão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...
Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois
Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora
Amor é cristão
Sexo é padrão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal...
E tal e coisa...
Ai, o amor...
Hum, o sexo...
ao topo da árvore,
pousei os pés nus sobre a copa.
As folhas faziam cócegas e riam do meu ar tão baralhado.
Olhei o horizonte
e voei na ilusão.
sábado, abril 28, 2007
Sábadooooooooooooooooooo
Este filme marcou e voltou dum cantinho da memória. Andava eu por no meu Porto, cheia de sonhos e ilusões... e a turma lá marchou toda em excursão.
Resolvi partilhar ... http://www.youtube.com/watch?v=1Cs4YeCPm_o
http://www.youtube.com/watch?v=S5ucfBvOmIU
(Especial para os meninos travessos: Looooooooooooooooool)
Óptimo sábado
e mil beijos
Água
Como quieres ser mi amiga
si por ti daria la vida,
si confundo tu sonrisa
por camelo si me miras.
Razon y piel, difcil mezcla,
agua y sed, serio problema.
Como quieres ser mi amiga
si por ti mi perderia,
si confundo tus caricias
por camelo si me mimas.
Pasion y ley, difcil mezcla,
agua y sed, serio problema
Cuando uno tiene sed
Pero el agua no esta cerca,
cuando uno quiere beber
pero el agua no esta cerca.
Que hacer, tu lo sabes,
conservar la distancia,
renunciar a lo natural,
y dejar que el agua corra.
Como quieres ser mi amiga
cuando esta carta recibas,
un mensaje hay entre lineas,
como quieres ser mi amiga
Jarabe de Palo
Seus Olhos
Seus olhos --- se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou ---
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.
Divino, eterno! --- e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garrett
Fui à minha arquinha de recordações...
| Yves Montand |
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sur la mer
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîmé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien
Ce que j'aimerais entendre un jour...
Viens, laisse un peu tomber tes poupées
A ton âge il faut s'en aller
Je sais que tes parents sont très gentils
Mais eux, à ton âge, ils étaient partis.
Viens, je ne suis pas encore très vieux
J'ai la passion au fond des yeux
Et j'ai besoin d'un cœur tendre à aimer
Oh oui, j'ai besoin de te protéger
J'ai tellement d'amour à te donner
Chez moi, il y a des canapés où je bercerai toutes tes poupées
Chez moi, je t'installerai le marché aux fleurs pour te parfumer
Chez moi t'auras des violons pendus au balcon pour te faire danser
Chez moi tu retrouveras tout ce que tu a si peur de quitter
Viens, laisse un peu tomber tes poupées
Laisse tes livres et tes cahiers
La vie, tu sais, ça s'apprend au dehors
D'ailleurs, je sais que quelque fois tu sors
Viens, j'ai peur que ton cœur prenne froid
J'ai peur qu'un jeune maladroit
Te fasse mal sans le vouloir vraiment
Oh oui, méfie-toi des jeunes amants
Qui ont le cœur coupant comme un diamant
Chez moi, les tigres sont morts, y a un chat qui dort, un chien pas méchant
Chez moi, tu auras le choix entre aimer un roi ou bien un mendiant
Tu vois, mes ongles sont courts, je peux pas griffer même par amour
Chez moi, pour tes insomnies, même en pleine nuit, je ferais grand jour
Chez moi, y a des berceaux blancs, ou tous nos enfants s'endorment déjà
Tu vois tout ce que tu veux, tout ce que tu as est déjà chez moi..
Serge Lama
Aquarela
Toquinho
Composição: Toquinho/Vinicius de Moraes
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
e se a gente quiser ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida,
depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (e descolorirá)
João e Maria
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no meu mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
Música: Sivuca
Letra: Chico Buarque
sexta-feira, abril 27, 2007
A caminhada...
Lembro-me de uma aula de apresentação de Antropologia Cultural com a Dra. Helena Mateus, prof. espectacular que me fez gostar da evolução do hominídeo e nunca mais esquecer a importância do polegar oponível.
Lembro Edgar Morin e a minha grande amiga C. que por ter o mesmo nome da minha mãe fez com que eu explodisse num sorriso e estabelecesse com ela um laço muito especial. Não nos vemos há anos. Mas ela sabe que eu estou cá e ela lá, para o que der e vier. Com ela aprendi a correr para os trolleys e sentar no andar de cima, só pra fazer a distância entre a Fernandes Tomás e o Bolhão. Looooooooooooool. E o que ríamos as duas. Mas como dizia, foi pela mão do meu pai que fiquei a saber onde era a Rua de Santa Catarina ( depois foi difícil sair de lá, eheheheheh), o Palácio da Bolsa, a Câmara e a estátua do Infante que nunca mais se me varreu da pinha por causa da menemónica que omeu pai me ensinou naquele mesmo dia: "O Infante lá no fundo, aponta pró mar e caga pró mundo".
Neste Natal foi a vez do meu pai nos levar por outro caminho, a mim e à minha nina.

- you must not be afraid.
All the jungles have wolfs and ogres.
Yet all of them have also birds and very high trees.
If you don't go inside the jungle you'll always be asking
yourself if the birds's songs were beautifull and the trees
were really green.Or if the sun would shine ...
Go and feel deeply th melody. Feel the warm of the sunny
light on your skin...
And then the fairy turned out in a very delightful light of
love and gone away, living that soul floating in a sea of
doubts and a bit of hope.
quinta-feira, abril 26, 2007
Dias pesados
Hoje o dia foi pesado. Atritos, obstáculos, confusões. O tempo escorre-se pelos dedos. A tendência é contar minutos. Cansa.
Os afazeres surgem como cogumelos.
Não sei onde fica o travão de mão da vida. Só o acelerador.
Que sorte marreca.
O que vale é que amanhã é sexta. Lá tou eu a contar os minutos tra vex. Boa sexta.
quarta-feira, abril 25, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
Para um anjo que cantou Abril
Sentadas na escada da casa alugada,
que levava metade do ordenado do meu pai,
a minha mãe e as vizinhas esperavam
o desfecho de algo que lhes era longínquo.
De transistor na mão, com o medo a pairar
sobre as nossas cabeças, mas nos olhos
uma réstia de esperança que entrava
até ao peito e o fazia inchar e querer rebentar.
Uns dias mais tarde, pela vila, a pé,
vieram os soldados que traziam um
soldado, morto no ultramar,
de regresso à terra que o viu nascer.
A vizinha, ao meu lado, com um imenso
ramo de cravos vermelhos, apertados ao peito,
oferecia generosa e muito comovida,
a cada soldado que a pé passava,
em silêncio e a marchar.
Lembro o som das botas e logo associo
à primeira canção que a minha mãe pediu
no programa de rádio que tinha por
nome Discos Pedidos, penso eu, seria "Quando o Telefone Toca" -
"Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.
e farinha para ter cola e poder colar cartazes
uns tempos depois, por baixo da janela da casa
e da genica e a certeza com que defendia Eanes e Otelo.
Lembro-me de como ela chorava quando nos contava
quem fora o General sem Medo e de como o meu
avô materno, homem grande e forte, de coração doce,
defendia e o admirava e de o avô ouvia notícias na BBC
com o copo de água sobre o mesmo,
crendo que assim não
seria detectado.
Lembro das imagens de libertação de José Mário Branco.
Lembro de Custóias... Lembro os comícios e o
lencinho vermelho com a foice a estrela e o martelo
amarelos que usávamos com um orgulho tão
grande para uns fedelhos tão pequenos.
A áurea que sobre nós caiu, sobre as vizinhas, uma áurea de
entreajuda, com olhares de riso e de paz estão gravados
na memória.
Quando o M. Guilherme pintou
"a mão" do PS , como lhe chamávamos, na porta da garagem,
na chapa de zinco. Duma garagem que nem da mãe era.
Quando o socialismo cheirava a partilha e a entreajuda.
Lembro o anjo, dos muitos anjos que em Abril e
antes dele correram terras de aquém e de além mar,
e abrindo os olhos, firmaram pernas
e gritaram alto a palavra : Basta!
A Salgueiro Maia, a todos os soldados que seguiram
os seus capitães porque acreditaram que o
amanhã iria ser melhor.
Teria que ser melhor!
Aos cantores que ficaram a pairar sobre
nós para nos lembrar que vale a pena querer
o bem comum, haja o que houver.
Um dia Abril será melhor.
As conveniências, as conivências, as poucas ciências...
nome de rei
sem manto nem coroa...
simples na palavra,
no gesto e na voz.
Afonso,
nome de rei
acima da leviandade e mediocridade de outros.
Cantou a raiva e a dor
dos que apenas mostravam o medo e a fome no olhar.
As injustiças,
a mentira descarada foi sempre por ele apontada.
Brincou com a acéfala camada que teimava
em manter um povo inteiro no turpor.
Zeca Afonso poeta cantor, andarilho e sonhador foi lembrado esta madrugada, por volta das duas da manhã. Hora, de facto, nobre para lembrar algo que querem repetir.



