O rio

O rio

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Quando Ficares Velha



Quando ficares velha, grisalha e sonolenta

E te aqueceres à lareira, pega neste livro

E lê-o devagar, sonha com o olhar meigo

E com as sombras profundas outrora nos teus olhos;




Quantos amaram os teus momentos de feliz encanto

E a tua beleza com amor falso ou autêntico,

Além daquele homem que amou em ti a alma peregrina

E as tristezas que alteravam o teu rosto;




E curvando-te mais sobre a lareira ao rubro

Murmura, um pouco triste, como o Amor se foi

E caminhou sobre as montanhas lá no alto

E escondeu o rosto numa multidão de estrelas.




William Butler Yeats
Escrito de memória



Formado em direito e solidão,

às escuras te busco enquanto a chuva brilha.

É verdade que olhas, é verdade que dizes.

Que todos temos medo e água pura.




A que deuses te devo, se te devo,

que espanto é este, se há razão pra ele?

Como te busco, então, se estás aqui,

ou, se não estás, por te quero tida?

Quais olhos e qual noite?

Aquela

em que estiveste por me dizeres o nome.




Não sei, amor, sequer, se te consinto

ou se te inventas, brilhas, adormeces

nas palavras sem carne em que te minto

a verdade intemida em que me esqueces.




Não sei, amor, se as lavas do vulcão

nos lavam, veras, ou se trocam tintas

dos olhos ao cabelo ou coração

de tudo e de ti mesma. Não que sintas




outra coisa de mais que nos feneça;

mas só não sei, amor, se tu não sabes

que sei de certo a malha que nos teça,




o vento que nos leves ou nos traves,

a mão que te nos dê ou te nos peça,

o princípio de sol que nos acabes.




Pedro Tamen (n. 1934)
Seus olhos

Seus olhos - se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Almeida Garrett (1799-1854)

Feliz dia dos namorados...

A professora pergunta pro Joãozinho:

- Qual o tempo verbal da frase " eu procuro 1 homem fiel"?

Joãozinho:
- Tempo perdido!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

A Pele Que Há Em Mim

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já não sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O quarto vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.

domingo, fevereiro 05, 2012

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

terça-feira, janeiro 31, 2012

Lágrimas

Há um ponto na vida em que te dás conta de quem importa, quem nunca importou, quem não importa mais e quem sempre importará.

PARA TI G!




Atropelo o coração
todos os dias...

Se de manhã te busco
e não te encontro,
meu coração bate lentamente
como se fosse parar,
perder a vida
E a alma chora, incontida
enquanto os olhos apenas sentem
o marulhar das ondas que eu seguro
com um suspiro triste
que aperta o peito e faz doer.

Se acordo ainda nos teus braços
porque a alma viaja até ti
tu sabes,
o peito enche-se
de ar e fogo,
e a vida em mim toma outra cor.
A força é tanta e tão pujante
que faz brotar dos lábios o sorriso
o brilho imenso do olhar
e à volta partilho
de tal forma
que a Terra roda mais depressa que o normal
os abraços são dados com a certeza
de que a energia e a luz são bem entregues.

DA FELICIDADE



Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!


Mário Quintana